
Uma decisão inusitada chamou atenção no âmbito da Justiça mineira. Um processo envolvendo a anulação de contrato, repetição de indébito e indenização por danos morais teve sua tramitação encerrada após a parte autora declarar que desconhecia a ação, os advogados e até mesmo a documentação apresentada. O caso foi julgado na 1ª Vara Cível de Divinópolis/MG pelo juiz Marlúcio Teixeira de Carvalho, que homologou a desistência do processo e tomou medidas para investigar possíveis irregularidades.
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A autora, ao ser intimada para prestar esclarecimentos, afirmou que não autorizou a ação judicial, não conhecia os advogados que diziam representá-la e não reconhecia a procuração anexada. O magistrado prontamente extinguiu o processo sem resolução do mérito, nos termos do artigo 485, inciso VIII, do Código de Processo Civil, destacando que a parte pode desistir da ação independentemente de anuência de seu advogado.
Investigação de conduta irregular
Além de homologar a desistência, a decisão também determinou o envio de ofícios à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG) e ao Centro de Inteligência da Justiça de Minas Gerais (CIJ/MG) para apuração de possível conduta irregular por parte do advogado que ingressou com o processo. Esse encaminhamento busca esclarecer se houve má-fé ou outro tipo de violação ética, especialmente no que tange à possível falsificação de documentos e usurpação da autorização para propor a ação.
Apesar de a desistência ter ocorrido após a apresentação de contestação pelo banco, o juiz excluiu a autoria de litigância de má-fé por parte da autora devido à sua clara manifestação de desconhecimento sobre o caso e os trâmites judiciais.
Responsabilidade do advogado
O episódio gerou alerta no meio jurídico para práticas abusivas e impropriedades na representação de clientes. A suspeita de documentos não autênticos e representação não consentida traz preocupações sobre ética profissional. Caso irregularidades sejam comprovadas, o advogado pode enfrentar sanções disciplinares pela OAB e, dependendo da gravidade, também penalidades na esfera legal.
Transparência e integridade processual
Decisões como essa reforçam a importância da transparência no sistema jurídico. Com a crescente digitalização de processos, assegurar que cada parte envolvida tenha ciência e concorda com as ações torna-se ainda mais relevante para preservar a confiança no Judiciário. Este caso acende o sinal de alerta para a necessidade de fiscalização rigorosa, tanto por parte dos tribunais como das entidades de classe, para evitar abusos e proteger o direito das partes.
Para mais detalhes, a íntegra da sentença pode ser acessada neste link.
Processo: 5011167-62.2024.8.13.0223
Advocacia para defesa do banco: Parada Advogados
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Redação
Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.